Almeida Henriques

quarta-feira, 13 de abril de 2011

OS VERDADEIROS FACTOS DA CAMPANHA

via DESMITOS de Alvaro Santos Pereira em 13/04/11
Nos últimos dias, a "campanha" eleitoral tem sido constituida por um rol de "factos" que só servem para distrair os(as) portugueses(as) daquilo que realmente é essencial. E o que é essencial são os factos. E os factos são indesmentíveis. Não há argumentos que resistam aos arrasadores factos que este governos nos lega. E para quem não sabe, e como demonstro no meu novo livro, os factos que realmente interessam são os seguintes:
1) Na última década, Portugal teve o pior crescimento económico dos últimos 90 anos
2) Temos a pior dívida pública (em % do PIB) dos últimos 160 anos. A dívida pública este ano vai rondar os 100% do PIB
3) Esta dívida pública histórica não inclui as dívidas das empresas públicas (mais 25% do PIB nacional)
4) Esta dívida pública sem precedentes não inclui os 60 mil milhões de euros das PPPs (35% do PIB adicionais), que foram utilizadas pelos nosso governantes para fazer obra (auto-estradas, hospitais, etc.) enquanto se adiava o seu pagamento para os próximos governos e as gerações futuras. As escolas também foram construídas a crédito.
5) Temos a pior taxa de desemprego dos últimos 90 anos (desde que há registos). Em 2005, a taxa de desemprego era de 6,6%. Em 2011, a taxa de desemprego chegou aos 11,1% e continua a aumentar.
6) Temos 620 mil desempregados, dos quais mais de 300 mil estão desempregados há mais de 12 meses
7) Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos.
8) A nossa dívida externa bruta é quase 8 vezes maior do que as nossas exportações
9) Estamos no top 10 dos países mais endividados do mundo em praticamente todos os indicadores possíveis
10) A nossa dívida externa bruta em 1995 era inferior a 40% do PIB. Hoje é de 240% do PIB
11) A nossa dívida externa líquida em 1995 era de 10% do PIB. Hoje é de quase 110% do PIB
12) As dívidas das famílias são cerca de 100% do PIB e 135% do rendimento disponível
13) As dívidas das empresas são equivalente a 150% do PIB
14) Cerca de 50% de todo endividamento nacional deve-se, directa ou indirectamente, ao nosso Estado
15) Temos a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos
16) Temos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE
17) Temos a pior taxa de poupança dos últimos 50 anos
18) Nos últimos 10 anos, tivemos défices da balança corrente que rondaram entre os 8% e os 10% do PIB
19) Há 1,6 milhões de casos pendentes nos tribunais civis. Em 1995, havia 63 mil. Portugal é ainda um dos países que mais gasta com os tribunais por habitante na Europa
20) Temos a terceira pior taxa de abandono escolar de toda a OCDE (só melhor do que o México e a Turquia)
21) Temos um Estado desproporcionado para o nosso país, um Estado cujo peso já ultrapassa os 50% do PIB
22) As entidades e organismos públicos contam-se aos milhares. Há 349 Institutos Públicos, 87 Direcções Regionais, 68 Direcções-Gerais, 25 Estruturas de Missões, 100 Estruturas Atípicas, 10 Entidades Administrativas Independentes, 2 Forças de Segurança, 8 entidades e sub-entidades das Forças Armadas, 3 Entidades Empresariais regionais, 6 Gabinetes, 1 Gabinete do Primeiro Ministro, 16 Gabinetes de Ministros, 38 Gabinetes de Secretários de Estado, 15 Gabinetes dos Secretários Regionais, 2 Gabinetes do Presidente Regional, 2 Gabinetes da Vice-Presidência dos Governos Regionais, 18 Governos Civis, 2 Áreas Metropolitanas, 9 Inspecções Regionais, 16 Inspecções-Gerais, 31 Órgãos Consultivos, 350 Órgãos Independentes (tribunais e afins), 17 Secretarias-Gerais, 17 Serviços de Apoio, 2 Gabinetes dos Representantes da República nas regiões autónomas, e ainda 308 Câmaras Municipais, 4260 Juntas de Freguesias. Há ainda as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e as Comunidades Inter-Municipais.
22) Nos últimos anos, nada foi feito para cortar neste Estado omnipresente e despesista, embora já se cortaram salários, já se subiram impostos, já se reduziram pensões e já se impuseram vários pacotes de austeridade aos portugueses. O Estado tem ficado imune à austeridade
Isto não é política. São factos. Factos que andámos a negar durante anos até chegarmos a esta lamentável situação. Ora, se tomarmos em linha de conta estes factos, interessa perguntar: como é que foi possível chegar a esta situação? O que é que aconteceu entre 1995 e 2011 para termos passado termos de "bom aluno" da UE a um exemplo que toda a gente quer evitar? O que é que ocorreu entre 1995 e 2011 para termos transformado tanto o nosso país? Quem conduziu o país quase à insolvência? Quem nada fez para contrariar o excessivo endividamento do país? Quem contribuiu de sobremaneira para o mesmo endividamento com obras públicas de rentabilidade muito duvidosa? Quem fomentou o endividamento com um despesismo atroz? Quem tentou (e tenta) encobrir a triste realidade económica do país com manobras de propaganda e com manipulações de factos? As respostas a questas questões são fáceis de dar, ou, pelo menos, deviam ser. Só não vê quem não quer mesmo ver.
A verdade é que estes factos são obviamente arrasadores e indesmentíveis. Factos irrefutáveis. Factos que, por isso, deviam ser repetidos até à exaustão até que todos nós nos consciencializássemos da gravidade da situação actual. Estes é que deviam ser os verdadeiros factos da campanha eleitoral. As distracções dos últimos dias só servem para desviar as atenções daquilo que é realmente importante.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Governo deixa cair TGV e 3ª. travessia do Tejo


Ainda na segunda-feira (4 de Abril de 2011) da semana passada o Primeiro-ministro afirmava a pés juntos que o TGV era para avançar, que havia financiamento assegurado a boa taxa e que seria uma irresponsabilidade não aproveitar.
Há seis anos que mantém esta teimosia, contra todas as opiniões avisadas que recomendam que o País não avance com obras públicas faraónicas para as quais não tem dinheiro.
Ao invés de gastar quase a totalidade do dinheiro que consta do fundo de coesão, cerca de 1.000 milhões de euros alocados a esta obra, justifica-se mais uma maior aposta no apoio aos que mais precisam bem como em acessibilidades de proximidade, com mais-valia para a economia, como por exemplo a ligação em auto-estrada entre Viseu e Coimbra.
Mais ridículo é agora sabermos que o Governo deixou cair a 2ª. fase do TGV e a terceira travessia do Tejo, se assim é menos se justifica avançar com a 1ª. fase entre Poceirão e Caia, uma ligação entre duas povoações com 5.000 habitantes que, como se sabe, ainda nem a aprovação do Tribunal de Contas tem.
Depois de suspenso o primeiro concurso com a promessa de que haveria um segundo passados seis meses – ou seja, em meados de Março – o Governo, ao que parece, deixa cair o projecto em definitivo.
Peca por tardia esta decisão, quem não tem dinheiro não tem vícios.
Mas, mais uma vez, quem vai suportar a teimosia de José Sócrates?
Face às informações, inclusive numa entrevista do Presidente do consórcio, já estarão gastos para cima de 100 milhões de euros, o que poderá implicar indemnizar o consórcio FCC/ Mota Engil.
Este Primeiro-ministro tem que ser penalizado politicamente, mas não se devia ficar por aqui, esta teimosia já custou centenas de milhões de euros de juros na demora do pedido de ajuda externa a que se junta agora este montante, já soma quase 500 milhões de euros de custos a mais.
Se devemos ser rigorosos na gestão do nosso dinheiro, por maioria de razão o teremos que ser em relação ao dinheiro de todos nós, ainda para mais quando não o temos e precisamos pedir emprestado.
Quem paga tamanha irresponsabilidade de dizer hoje uma coisa e amanhã o seu contrário? Estas “brincadeiras”, “teimosias” e “estados de alma” custam milhões ao bolso de todos nós, é bom que se reflicta e, se responsabilize politicamente quem destruiu o nosso belo País.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Mentira e desmoronamento

 De negação em negação, como aconteceu ao longo dos últimos dois anos, o Primeiro-ministro assumiu que tinha solicitado a ajuda externa ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.
Três dias antes, na entrevista que deu na terça-feira, assistiu-se ao expoente máximo da irresponsabilidade, uma cena idêntica à que temos presenciado nos últimos seis anos, sempre um Estado de negação sobre a realidade do País para mais tarde vir assumir “a real”, com custos acrescidos.
Sempre assumiu uma estratégia de confronto, mesmo que isso possa custar a bancarrota ao País, montou toda esta estratégia para se vitimizar e responsabilizar os outros, indiferente à degradação progressiva do País.
José Sócrates continua a falar do País que não existe, governando com “estados de alma” ao invés de tomar as medidas que se impõem, mesmo num governo em gestão; todos os dias as notícias desmentem as suas afirmações.
O rating da República foi-se degradando estando a um passo de ser rejeitada pelo BCE e o da Banca vai a reboque, com consequências nos diferentes níveis de crédito.
Autarquias em risco de fechar serviços por não terem acesso ao crédito, a situação do poder local tem vindo a degradar-se e não se adivinha forma de saírem, agora agravado pelo rating da República e ausência de disponibilidades financeiras da banca.
Portugal financia-se a taxas insustentáveis, mesmo a 12 meses Espanha já se consegue financiar mais de 3% abaixo de Portugal, nós pagamos o mesmo por dívida a um ano que os nossos vizinhos a 30 anos; a divida a cinco anos próxima dos 10% e a dez anos a roçar os 9%; é fácil fazer as contas, por cada 1.000 milhões de euros de empréstimo a dez anos que Portugal contrai assume que só em juros vai pagar 900 milhões.
A Transtejo só tem dinheiro para pagar salários até Junho, outras empresas públicas do sector dos transportes, bem como noutros sectores, entram em ruptura.
Até os banqueiros, designadamente Ricardo Salgado, Santos Ferreira e Fernando Ulrich que alinhavam numa lógica de que devíamos resistir, vieram agora dizer que só há um caminho, pedir ajuda externa e rápido.
A Banca anunciou que não compra mais dívida portuguesa, até aqui financiavam-se junto do BCE e asseguravam a colocação de dívida do Estado, nesta quarta feira foi a última vez que foram a um leilão.
Face à situação da Banca e aos testes de stress em curso, o Banco de Portugal vem exigir reforço de capitais na nossa banca
O Governo anuncia um valor do défice para depois o vir corrigir com base em critérios que conhecia, mais de 3.000 milhões de diferença face ao anunciado, verifica-se agora que nunca tivemos nenhum ano abaixo dos 3% e que a previsão de 7,3% para 2010, afinal vai ficar nos 8,6%.
Aquilo a que se assiste é a um desmoronar do País.
Numa lógica de sobrevivência o Engº. José Sócrates dizia que tudo faria para evitar a ajuda externa, mesmo que isso signifique pagar empréstimos com juros que o País não pode suportar, vem agora dar o dito por não dito, tentando responsabilizar tudo e todos, dizendo que a culpa não é sua.
O pedido de ajuda aí está, como dizia ontem João Salgueiro, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos, há três/ quatro meses atrás seria uma negociação, agora é um pedir de ajuda com o chapéu na mão.
Qual o prejuízo que o País teve com esta teimosia final? Estamos a falar de centenas de milhões de euros, há que lembrar que há muito pouco tempo, o Ministro das Finanças reconhecia a necessidade de ajuda externa se os juros da dívida soberana ultrapassassem os 7%, recorde-se que estão nos 10%.
Em suma, o PM pede a ajuda que sempre negou que iria pedir, perde o argumento eleitoral que tinha de evitar a entrada do PMI, governando com “Estados de Alma” conduziu o País para o abismo, é notório o desmoronamento de todo o sistema.
Resta agora negociar o melhor possível, restabelecer a depauperada imagem de Portugal nos mercados e no mundo, canalizar todos os recursos existentes para a recuperação da economia, é preciso que ela cresça, que se exporte mais, precisamos de atingir rapidamente a meta de 40% do PIB, substituir importações por produção nacional, apostar nos bens e serviços transaccionáveis, mobilizar a nossa indústria e olhar para o sector primário com atenção; ao mesmo tempo, reestruturar e introduzir rigor no Estado, não esquecendo os que mais precisam.
Este é um caminho muito difícil, não precisávamos de bater tão no fundo, o País precisa de mudar de vida e de acordos alargados que resolvam os nossos graves problemas.
É preciso erradicar a mentira da política e travar o desmoronamento a que estamos a assistir.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Participação no programa Pontos de Vista da RTPN no dia 04 de Abril de 2011

http://tv2.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=16063&e_id=&c_id=7&dif=tv&hora=23:00&dia=04-04-2011&country=&cache=1

Visita de Formandos da AIRV à Assembleia da República

No passado dia 1 de Abril tive o gosto de receber um grupo de formandos da AIRV- Associação Empresarial da Região de Viseu, companhados das formadoras; embora não tivessem assistido ao Plenário, em virtude de estar em curso a dissolução da AR, tive uma interessante conversa sobre o momento politico e perspectivas para o futuro.
Fica aqui o registo desta visita, um momento particularmente grato para mim, sobretudo pelas ligações afectivas que me unem a algumas das Pessoas que me visitaram e à AIRV, instituição a que presidi durante oito anos.

Humor inglês

Ainda não há muito tempo os ingleses nos mimosearam com a expressão PIGS, referindo-se aos Países em risco de não cumprirem os compromissos com Bruxelas e que necessitariam de recorrer à ajuda externa; independentemente do significado deste acrónimo que é ofensivo para todos nós, ilustra bem a imagem que Portugal tem hoje nos mercados.
Nos últimos 10 meses, o “rating” da República baixou quatro vezes na Standard & Poor’s, três na Fitch e duas na Moody’s; independentemente da justeza ou não, significa que os mercados percepcionam que Portugal terá que pedir ajuda, que esta irá para lá de 2013 e que os nossos credores poderão perder dinheiro.
A descida do “rating” dos principais Bancos é também muito preocupante, associada ao facto de a nossa Banca não conseguir ir aos mercados há 13 meses.
Por mais que o Primeiro-ministro e o Governo queiram alijar responsabilidades, são os únicos responsáveis por esta situação.
Ainda na quinta-feira, a 31 de Março de 2011, o valor do défice estimado para 2010 foi colocado em causa, os dados do INE vêm dizer que este não foi de 7,3%, mas sim de 8,6%, um erro grosseiro de mais 2.250 milhões de euros; realce-se que o Governo dizia que o valor podia ser menor, ir para 6,8%, o que dá um erro de 3.120 milhões de euros.
Estas correcções derivam da contabilização de ajudas às empresas de transportes públicos, REFER e Metro do Porto e Lisboa, mais 631 milhões em 2007, 862 em 2008, 883 em 2009 e 793 em 2010, para além do BPN com 1800 milhões e uma garantia de 450 milhões do BPP.
A reacção dos mercados não se fez esperar, mais uma subida das taxas de juro da dívida pública, mais um descida do “rating” da República, será que também este resvalar das contas é culpa da oposição?
O que fica para a história destes seis anos de Governação socialista é que Portugal está mais pobre, mais endividado, com uma taxa recorde de desemprego, mais vulnerável do ponto de vista financeiro, em recessão, com uma enorme crise social, é por tudo isto que o PS e o Primeiro-ministro têm que ser julgados, não vale a pena branquear a péssima actuação dos últimos anos.
Cabe ao PSD denunciar as responsabilidades e apresentar um programa de verdade que mobilize os Portugueses para uma mudança de vida.
A solução não está na sugestão humorística, também apresentada pelos ingleses, de Portugal ser integrado no Brasil, passando a ser mais um estado, mas certamente que implicará o assumir dos compromissos de Portugal, designadamente no controlo do défice, apostar no crescimento económico e ajudar os mais desfavorecidos.
A sugestão humorística dos ingleses não é despicienda, o aprofundamento da relação económica de Portugal com os Países que falam Português será um caminho.
Num momento de “depressão”, há que ter esperança numa nova solução que só o PSD pode proporcionar.