Almeida Henriques

sábado, 4 de outubro de 2008

Crise Internacional e Plano Paulson

Estamos a acabar uma semana que fica claramente marcada pela grave crise internacional e pela expectativa da aprovação do Plano Paulson, por parte do Senado (já aprovado) e pela Câmara de Representantes.


Por cá, os efeitos estão já bem presentes, na instabilidade dos mercados, na falta de liquidez dos bancos que se faz repercutir nas famílias, com o aumento das taxas de juro e dificuldade de acesso ao crédito, nas empresas e nos novos investimentos que não encontram no mercado os capitais necessários para se desenvolverem.

Ao invés de um Governo sereno e com propostas concretas para responder à crise, assistimos a um Primeiro Ministro histérico a diabolisar o sistema financeiro, a comparar a Bolsa a um casino e, por outro lado, a um Ministro da Economia que duma forma apocalíptica declara o fim do Mundo, tal como o conhecemos.

Mas, afinal, o que se esperaria de governantes responsáveis e com sentido da realidade?

Basicamente que copiassem o que se está a fazer um pouco por todo o Mundo.

Afinal, o Plano Paulson, que esperamos venha a ser aprovado pela Câmara de Representantes (estou a escrever este artigo ao fim da manhã de 6ª. feira), assenta basicamente no seguinte:

Em mais benefícios fiscais para as famílias, com criação de uns e prolongamento de outros, virado para as pequenas empresas e trabalhadores com rendimentos médios e famílias com mais de um filho;

Aumento da garantia dos depósitos, que passam de 100.000 para 250.000 USD, para dar confiança aos depositantes e evitar que resgatem as poupanças, o que agravaria ainda mais a liquidez do sistema bancário.

Outras medidas avulso que resultam em grande parte da campanha eleitoral que decorre como incentivos aos pescadores do Alasca ou ajuda às zonas rurais e às vitimas de catástrofes naturais, entre outras, bem como incentivos à produção de energias renováveis, designadamente eólica e solar.

Para que se perceba a dificuldade na aprovação, recordo que os EUA estão em plena campanha eleitoral para a Presidência da República, com a eleição mais mediática e disputada de sempre entre Obama e Maccan, renovam-se 1/3 dos mandatos do Senado e a totalidade dos mandatos da Câmara dos Representantes, para além de eleições em cada um dos Estados.

Por outro lado, uma economia assente essencialmente no mercado, é profundamente abalada nas suas convicções, com o Estado a ter que intervir fortemente para evitar o colapso.

Mas, regressando ao nosso País, esperava-se do Governo respostas que introduzissem esperança nos portugueses, tranquilidade no mercado e medidas que ajudassem as empresas.

O mercado precisa que se incentive a poupança, o ataque do Governo aos certificados de aforro vai no sentido inverso.

As empresas e o sistema precisam de liquidez, o pagamento das dívidas em atraso do Estado às empresas que se estimam em mais de 2.000 milhões de euros, permitiria um alivio da tesouraria; o Estado deveria emitir divida pública para colocar em dia os seus pagamentos às empresas.

Outras medidas poderiam ser tomadas, como o prolongamento para 90 dias do pagamento do IVA, como compensação do atraso generalizado dos pagamentos que leva as empresas a pagarem o IVA antes de o receberem, com prejuízos evidentes para a tesouraria; a eliminação dos pagamentos especiais por conta que penalizam sobretudo as micro e pme’s, para já não falar do reembolso do IVA.

Outra seria a descida do IMI, que tanto penaliza os jovens e as famílias da classe média baixa, mas acompanhada da actualização da avaliação dos imóveis, que está claramente inflacionada; estas avaliações foram efectuadas por peritos que olharam para os imóveis numa perspectiva de que continuaríamos a ter uma constante valorização dos mesmos, o que não aconteceu, antes uma desvalorização resultado da estagnação dos mercados. Se é verdade que é fundamental reduzir a taxa do IMI, caminho que a nossa autarquia seguiu no Orçamento para 2009, não é menos verdade que o problema de fundo está nos coeficientes de localização e na avaliação dos imóveis (em muitos casos, na maioria, direi mesmo que quase todos os contribuintes estarão disponíveis para vender pelo preço exorbitante que resultou da avaliação dos peritos); a actuação a este nível depende exclusivamente do Governo e da máquina da administração fiscal.

Até agora, nenhuma destas medidas se verificou, a única resolução válida é a aprovação de uma linha de crédito de cerca de 500 milhões de euros, com recurso a garantia mútua, que o Governo vai lançar e que permitirá o acesso ao crédito em condições mais vantajosas, em termos de taxas e da exigência de garantias às empresas.

Como se vê, mais uma vez o Governo adopta a politica espectáculo, com entrega do “Magalhães”, grandes sessões de propaganda, sem tomar medidas concretas que ajudem a economia, as famílias e as empresas; escuda-se na crise internacional, procurando fazer crer que não tem nenhumas responsabilidades, o que não é de todo verdade.

Como nota final, realce para a inauguração da filial em Viseu da Norgarante, na segunda feira, que vai permitir uma maior proximidade aos empresários de Viseu, no âmbito da garantia mútua; para quem não domina estes produtos, o acesso à garantia mútua por parte das empresas, permite um resseguro do crédito que pode ir até 75% o que leva a uma negociação com a Banca que, face à redução do risco, pode praticar taxas de juro mais baixas e pedir menos garantias; por outro lado, como a Banca fica com o resseguro, tem mais liquidez, liberta mais meios para financiar outras operações.

Sempre fui um entusiasta, desde a primeira hora, do sistema de Garantia Mútua, tendo sido um dos fundadores com envolvimento de empresários da nossa região, muitos deles já beneficiários do sistema.

In Diário de Viseu, 4 de Outubro de 2008

sábado, 27 de setembro de 2008

Viseu, Dia do Municipio

Viseu comemorou o Dia do Município homenageando os seus funcionários, algo que é já uma tradição e que se deve realçar.



De facto, o desenvolvimento que Viseu conheceu nos últimos vinte anos, é seguramente trabalho da equipa autárquica liderada pelo Dr. Fernando Ruas mas, em larga medida, o sucesso resulta do empenhamento de todos os viseenses e dos colaboradores da autarquia, pelo que estão de parabéns todos os homenageados e o Presidente da Câmara por manter esta boa tradição.



Cada vez mais, o desafio de Viseu passa pela afirmação na diferença, pela capacidade de agir em rede.



E os desafios são inúmeros, permitindo-me destacar três.



Por um lado, a revitalização do Centro Histórico, é fundamental a candidatura que a autarquia aprovou e que levará a uma requalificação alargada, com o envolvimento de inúmeras instituições, bem como o “funicular” que se assumirá como obra de referência, mas não chega!



Importa que todos assumam este problema como seu, todos os contributos, desde que sejam prestados com um sentido positivo, são bem vindos.



É fundamental captar casais jovens que escolham o centro histórico para viver.



Importa captar instituições que tragam movimento ao centro histórico, devemos remar no sentido de a Loja do Cidadão se localizar nesta importante área, subscrevo a petição, aceitando o desafio de o fazer publicamente;



A localização futura da Escola Dual Alemã, que estou a promover com a Câmara de Comércio e Indústria Luso Alemã, com um envolvimento inexcedível do Dr. Fernando Ruas, será certamente mais um contributo.



O lançamento de uma incubadora de empresas do Centro Histórico, poderia ser mais uma ideia a desenvolver, a rua das Artes poderia ser também mais um conceito a explorar, promovendo a fixação de artistas plásticos de renome na nossa cidade, reavivar a Escola de Grão Vasco do séc. XXI, enfim, um conjunto de ideias que poderíamos aprofundar.



Com uma certeza, o envolvimento dos comerciantes e da Associação Comercial é decisivo, há que efectuar uma task force que leve à criação urgente de uma dinâmica de Centro Comercial de Ar Livre.



O Segundo desafio, a captação de novos investimentos e o estímulo a Grupos empresariais que aqui se localizam, para o continuarem a fazer.



O Parque Empresarial de Mundão e a parceria com a AIRV, através da GestinViseu, bem como o projecto de Parque Tecnológico de Lordosa, concertado com o facto de a Agência de Captação de Investimentos, denominada Win Centro, ter a sua sede operacional em Viseu, serão factores que poderão potenciar um cada vez maior crescimento de Viseu, com a boa tónica de que “ em Viseu dá gosto viver”, isto é, com qualidade de vida.



Por último, Viseu continua a precisar da sua Universidade, o entendimento entre a Universidade Católica e o Instituto Politécnico, apadrinhado pela AIRV, deve ser um movimento a não parar, o poder politico (leia-se Governo) prestará um grande serviço a Viseu se não criar obstáculo, como vem sendo hábito.



Esta dinâmica é fundamental, numa lógica de boa interacção com as maiores e melhores empresas da Região, para promover uma cultura de empreendedorismo e permanente inovação.



O sector da Energia deve ser uma das nossas bandeiras, tirando partido das diferente competências que temos à volta de Viseu, no âmbito das energias renováveis e da eficiência energética.



Também a metalomecânica deve assumir para nós uma centralidade, potenciando competências instaladas e tirando partido da nossa proximidade a Águeda, Viseu tem que liderar a nível nacional a criação do Pólo de Competitividade da Metalomecânica.



Por outro lado, continuar a apostar na indústria automóvel, montagem e componentes, estreitando trabalho com as excelentes empresas que temos e procurando captar novas.



É o momento certo para darmos as mãos e potenciar novos saltos qualitativos, com o envolvimento de todas as entidades, repartindo tarefas, com uma atitude positiva.



Não será com atitudes de procurar escamotear os problemas, tentando explicar o inexplicável que chegaremos a um clima favorável ao nosso desenvolvimento.

In Diário deViseu, 27 de Setembro de 2008

sábado, 20 de setembro de 2008

Viseu perde em todos os tabuleiros

Saúdo o Diário de Viseu por retomar esta rubrica.


Depois de férias, espero que seja um espaço de debate e esclarecimento dos nossos concidadãos a quem formulo votos de bom regresso ao trabalho.

A Sede da Região de Turismo do Centro vai ficar em Aveiro, decisão que não contesto;

O Pólo de Competitividade da Energia vai ter a sua sede em Aveiro, facto que teve também o meu empenhamento, no âmbito da estratégia da Região Centro, que quer liderar quatro sectores (energia, tecnologias da informação e comunicação, madeiras e metalomecânica);

Em declarações ocorridas há cerca de três meses, o Ministro da Economia assumia que a Direcção Regional da Economia iria também para Aveiro.

Direi, mérito de Aveiro que tem sabido fazer o seu trabalho de casa, tem assumido uma atitude reivindicativa, coerente, envolvendo os vários actores.

Em contraste evidente, VISEU PERDE EM TODOS OS TABULEIROS, no âmbito da reestruturação do PRACE;

Viseu perde o Centro de Conservação e Restauro, depois de o Ministro da Cultura ter dito que ia ver o que podia fazer e depois assumir numa resposta a um requerimento a “fatalidade” do encerramento;

Congratula-se, na voz dos dirigentes socialistas, com aquilo que já tinha, com a Circunscrição Florestal do Centro, agora com outro nome e liderada por um viseense, que cumprimento pela nomeação e formulo votos de muito sucesso nesta missão;

Contabiliza como vitória a manutenção do que já tínhamos, a Direcção Distrital das Estradas de Portugal, que já dependia de Lisboa, não é novidade nenhuma, tem as mesmas competências!

Motivos para nos congratularmos seria termos ficado com o Centro Operacional Regional das Estradas de Portugal, estrutura criada de novo, que vai coordenar todas as novas obras e concentrar as competências, ficando a sede em Coimbra.

À falta de melhor, “enchem a boca” com a minúscula Direcção Regional do Instituto da Inspecção das Condições de Trabalho a funcionar num pequeno apartamento em Viseu.

Que grande contraste, entre a postura dos socialistas de Viseu e a dos de Aveiro, retirem os caros leitores as ilacções !



Outro facto relevante que marcou a semana foi a posse do Novo Presidente do Instituto Politécnico de Viseu, Dr. Fernando Sebastião, a quem aproveito para felicitar pela eleição e formular votos de um profíquo trabalho em prol do desenvolvimento de Viseu.



Tem uma enorme tarefa pela frente, unir a instituição e focalizá-la numa estratégia que a reposicione como motor de desenvolvimento de Viseu, vertente muito “adormecida” nos últimos três anos, fruto do conflito permanente que se viveu.



Seria injusto que não enaltecesse o brilhante trabalho desenvolvido pelo Prof. João Pedro Antas de Barros, o Politécnico que hoje temos tem a sua marca e assinatura, Viseu deve-lhe muito e a homenagem a uma carreira ao serviço do desenvolvimento, deve ser feita, é de elementar justiça.



Pena foi que estes últimos anos tivessem afectado a instituição e levassem a que perdesse competitividade no âmbito nacional e internacional.



Enquanto as “energias” eram gastas nas “lutas internas”, outras instituições iam aproveitando a “distracção” de Viseu.



Mas nada está perdido, há que dar as mãos, estou convicto que o novo Presidente do Politécnico terá “engenho e arte” para envolver todos os que colaboram com a instituição e para homenagear o trabalho desenvolvido nos últimos vinte anos.



Parabéns Caro Dr. Fernando Sebastião, os holofotes são seus! Tem todo o meu apoio, bem como a instituição que dirige.

In Diário de Viseu, 20 de Setembro de 2008

sábado, 26 de julho de 2008

O ESTADO DO DISTRITO- TRÊS ANOS DE GOVERNO SOCIALISTA PARA ESQUECER

O ESTADO DO DISTRITO- TRÊS ANOS DE GOVERNO SOCIALISTA PARA ESQUECER


Na última crónica que escrevo antes da interrupção para férias, uma palavra de estimulo ao Diário de Viseu para que mantenha este espaço de debate, é uma forma de levar aos eleitores as diferentes opiniões sobre assuntos do País e do Distrito permitindo, em cada semana, um maior esclarecimento e exercício do principio do contraditório.

Há quinze dias dediquei este espaço à análise do Estado da Nação, dedico-o agora ao Estado do Distrito.

Já esperava o exercício arrogante e prepotente do Partido Socialista no Distrito, após a maioria absoluta há três anos e meios, é verdade, quando viermos de férias já passou este tempo todo.

Se fizermos um esforço de memória, a primeira preocupação foi parar, anular, todas as dinâmicas que vinham do anterior Governo.

Colocou-se no “lixo” o modelo da Universidade Pública que obtivera um amplo consenso e mais tarde, rejeita-se também a proposta apresentada pela AIRV, Universidade Católica e Instituto Politécnico de fusão dos vários estabelecimentos, criando uma nova Universidade com a vertente universitária e politécnica.

Já por si foi grave, mas mais ainda quando não se apresenta nenhuma alternativa !

Aborta-se a criação da Grande Área Metropolitana de Viseu (GAMVIS), mais de dois anos de indefinição, mata-se uma realidade que nasceu de baixo para cima, uma plataforma de entendimento que dificilmente se voltará a gerar no futura.

Mais uma vez, Viseu a perder!

Inicia-se um processo de reestruturação da administração pública e a aprovação de novas leis orgânicas que criam as Direcções Regionais a coincidirem com as NUT II (no nosso caso Centro).

Viseu perde em toda a linha, as áreas estruturantes como a Saúde, Educação, Economia, Emprego, Cultura, Estradas, Agricultura, entre outras, vão parar a outros distritos que não o nosso.

Apenas fica aqui o Instituto da Inspecção das Condições de Trabalho, um pequeno apartamento com meia dúzia de pessoa, mostra bem o peso politico do poder socialista.

No domínio das infraestruturas, ainda bem que a A25 e A24 estavam já num ponto de não retorno, o único aspecto positivo destas três anos, o Governo do PS finalizou o que vinha do Governo anterior.

Em relação a outras importantes vias como o IC12(Mangualde- Carregal do Sal), IC37(Viseu- Nelas- Seia), estudo do IC26(ligação A24- A25), auto estrada Viseu Coimbra, requalificação da EN 229(Viseu- Sátão) e inicio de construção da EN 230(Tondela- Carregal do Sal), há uma nota comum:

Ao longo de três anos não se deu andamento a estes projectos já adiantados no mandato anterior, “marinaram” e, agora, a um ano de eleições é tempo de novos anúncios, alguns para as calendas e com inverdades.

A ferrovia, também está a marinar, Viseu continua sem saber o que é que o Governo pretende fazer para dotar esta região de um melhor serviço de ferrovia; aliás, piorou, demoramos hoje mais tempo entre Viseu (via Nelas ou Mangualde) a chegar a Lisboa, com horários que não servem.

A esta inoperância, há que somar o Hospital de Lamego, quantos cronogramas apresentados e todos não cumpridos, sempre adiado.

E o Arquivo Distrital de Viseu, que trabalho foi feito nestes três anos, continuamos à espera !

A verdade é que o Partido Socialista não interage com a sociedade, sofre de um autismo preocupante, adopta uma atitude de seguidismo face ao Governo, tudo o que este faz está bem, perdeu completamente o sentido critico e reivindicativo, assume-se como “a voz do dono”.

Mais grave do que não se fazer ou destruir o que vem de traz, é a total ausência de pensamento, de estratégia para o Distrito, para a sua inserção na mais vasta região que é o Centro.

Uma última nota para os trabalhadores da ENU, até aqui o PS mudou de opinião.

Antes das eleições, há três anos e meio, o País tinha uma dívida para com estes concidadãos, ex trabalhadores da ENU, três anos depois o que se verifica é inacção, até falta de coragem ao não participar no debate em que eram apresentadas propostas concretas, designadamente por parte do PSD

Também neste balanço, baseado em factos objectivos, um “valente” chumbo para a actuação do PS e dos seus responsáveis no Distrito de Viseu.

Boas férias para todos!

In Diário de Viseu, 26 de Julho de 2008

sábado, 19 de julho de 2008

Previsões do Banco de Portugal

Depois do Estado da Nação, as previsões do Banco de Portugal, revê em baixa, para 1,2%(2% previsão Governo) o crescimento económico, a que há a somar um euro mais forte, o que penaliza as nossas exportações, a inflação também a ser revista em alta para 3%(2,6 na previsão revista do Governo), a revisão em alta das estimativas das taxas de juro de curto prazo para 4,9% em 2008 e 5,1% em 2009 e para o preço médio do barril de petróleo para 123 e 138 dólares em 2008 e 2009, respectivamente. Há que juntar a isto o maior desequilíbrio do deficit externo, desde 1982, para além do degradar da situação em Espanha e um pouco por todo o mundo.


Infelizmente, tempos difíceis se adivinham e um Governo que já perdeu o fôlego, que se esforça por dizer, não é bem assim, de assumir que foi apanhado de surpresa, sem respostas para o momento muito difícil que atravessamos.

Direi mesmo que, com a grave situação do País, as férias estão toldadas por muitas nuvens negras que pairam sobre o horizonte.

Entretanto, e porque há que combater este estado de coisas, os empresários do Centro do sector das energias juntaram-se com as Universidades e as maiores empresas do País e lançaram um vasto programa denominado Smart Energy, para promover a eficiência energética, ajudar as empresas, as autarquias e os particulares a ganharem novos hábitos de consumo, a medirem os diferentes consumos, compararem com outras realidades e implantarem planos de acção que diminuam as suas facturas.

Uma acção que permitiu criar condições para recebermos na Região Centro o Pólo de Competitividade da Energia, com sede em Aveiro.

Nesta matérias outras dinâmicas estão em curso, o que nos cria a ambição de ter a sede em Viseu do Pólo Tecnológico da Metalomecânica, pois o desenvolvimento cada vez se faz mais em rede e estimulando a sociedade civil a cumprir o seu papel, promovendo o desenvolvimento e a riqueza.

Também aqui, em Viseu, por iniciativa dos empresários, ficará a sede da Agência Regional para a captação de investimento, denominada WinCentro.

Enquanto estes importantes movimentos decorrem na nossa região, provando o dinamismo da sociedade civil, apesar do clima que se vive, sabemos já que as Estradas de Portugal já aprovaram a sua nova orgânica, deixam de existir 18 “Direcções” Regionais nas capitais de distrito, para passarem a existir 18 “Delegações” Regionais, responsáveis pela actividade de proximidade e vigilância da rede e são criados 6 Centros Operacionais Regionais.

De facto, mantêm-se serviços nos distritos, mas menos abrangentes, para calar a boca!

Criam-se seis Centros Operacionais, um no Centro, com competências abrangentes, designadamente de novos projectos e de concentração de competências.

Imaginem onde ?!... Coimbra, claro !...

Não se mantêm válidos todos os argumentos que tenho esgrimido, todos os avisos que efectuei?

No campo da desconcentração de serviços e distribuição das Direcções Regionais ficamos a perder em toda a linha e não ganhamos estas novas competências das Estradas de Portugal.

Garanto-vos que, por mais que me atirem areia para os olhos, não vou baixar os braços na denuncia deste péssimo serviços que os socialistas estão a prestar a Viseu.

Já agora, mais seriedade !

Já é estranho que sejam os Deputados a anunciar obras do Governo, mas para além disso, haja decoro !

Quanto à EN 229, a sua requalificação teve compromisso assumido para 2006; em Novembro de 2007 vem o Senhor Secretário de Estado das Obras Públicas anunciar a abertura do concurso até fim de Março de 2008; agora, em Julho de 2008 os Deputados anunciam que vai ser lançado o concurso.

De facto, foi aberto o concurso e enviado para publicação no dia 15 de Julho, com abertura prevista de propostas para 22 de Setembro, valor base de 4.700.000€ e não os 8.000.000€ que estavam previstos, objecto da resposta ao meu requerimento e anúncio dos Deputados do PS.

É também anunciada uma nova ligação, com perfil de auto estrada entre a recta do Pereiro (Sátão) e o Caçador (Viseu) mas, o despacho das Estradas de Portugal apenas refere o estudo de viabilidade, tráfego, etc., não sendo liquido qual a opção que se virá a efectuar!

Já ninguém os leva a sério, era melhor que aguardassem a publicação do mesmo para não errarem e não prometerem o que não sabem se vão cumprir, para já não falar da EN 230 que ligará Tondela a Carregal do Sal.

Não se lembrarão que, em 2004, numa sessão na Câmara de Carregal do Sal, foi apresentado o projecto e lançado o cronograma da obra bem como o valor, 13.330.000€?

Três anos depois, de novo anunciada?

Lembrou bem o Senhor Presidente da Câmara de Tondela, esta obra foi lançada no tempo do Governo do PSD, esteve a marinar durante este tempo todo, porque é que é anunciada agora ?

Fácil adivinhar!

Aconselha-se mais criatividade!

In Diário de Viseu, 19 de Julho de 2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O ESTADO DA NAÇÃO- UM ANO DE GOVERNO SOCIALISTA PARA ESQUECER

O ESTADO DA NAÇÃO- UM ANO DE GOVERNO SOCIALISTA PARA ESQUECER


Na semana em que se realizou o Debate do Estado da Nação, não poderia fugir ao tema e partilhar com os leitores as minhas preocupações e as minhas leituras do Estado da Nação.

O governo, mais uma vez, prova que foi apanhado de surpresa com a conjuntura internacional, que ao programar o ciclo, nestes três anos, apertou o tecido económico, adiou a entrada em vigor do QREN, bem como o lançamento dos grandes investimentos, com o objectivo de criar um grande impacto no último ano antes das eleições. É bem notório, isso mesmo provou a desgarrada descida do IVA em 1% e o pré anúncio de nova redução no Orçamento de 2009.

Não fez o trabalho de casa, iniciou as reformas mas deixou-as a meio, pressionou a cobrança fiscal, mas não arrumou o estado diminuindo a despesa e o seu peso, não assumiu que era imperativo repensar as funções do Estado e de o emagrecer, em suma, não ganhou fôlego.

Em domínios críticos como a Educação, a Saúde e a Justiça, pilares de todo o desenvolvimento, bem como na ausência de uma estratégia para as micro e pme’s, ou para a dinamização dos pólos urbanos, prova-se que o Governo falhou.

Mesmo em áreas que se podiam apontam como de esforço, é a própria sociedade, através de entidades isentas como a SEDES, que denunciam “… após três anos de esforços de estabilização orçamental e de várias reformas que exigiam coragem politica, dá agora sinais de preocupação com o calendário eleitoral em detrimento da administração do País”.

Assim, quando se debate o Estado da Nação, encontramos o Governo do PS a balancear, entre a ausência de imaginação para dar a volta à difícil situação, as dificuldades que resultam da conjuntura internacional e a ânsia de transmitir uam falsa imagem de confiança e algumas medidas eleitorais que permitam confundir os Portugueses.

Mas, o que é que nós sentimos na vida real, não nos discursos de José Sócrates, o mercado do trabalho degrada-se e perspectiva-se o aumento do desemprego, os juros continuam a subir com implicações crescentes na vida das famílias, também a braços com o seu endividamento elevado e a somar ao aumento crescente dos combustíveis e da conta do supermercado.

No domínio das empresa e da economia, o aumento dos juros e dos combustíveis corroem a competitividade, degrada-se o clima de confiança, como refere o indicador de sentimento económico da EU, para já não falar do pessimismo que se sente em todos os sectores, da indústria ao comércio, passando pela construção civil e serviços.

Os nossos mercados de destino, também desaceleram, na União Europeia e nos EUA, para já não falar da crise espanhola com grande impacto na nossa dependente economia.

E, no caso de Espanha, com preocupação acrescida face ao aumento crescente de emigrantes portugueses, permanentes ou pendulares, que poderão engrossar as fileiras do desemprego, criar mais dificuldades sociais.

Diz o PS, este cenário muito difícil, resulta da conjuntura internacional !

Em parte é verdade, mas não é só resultado desta situação, é também motivado pela incapacidade de um governo arrogante de ouvir, há mais de um ano, aqueles que apelidavam de “arautos da desgraça” e sempre “maldicentes”;

Se repararem bem, há dois meses, o Governo teimava em afirmar que estava tudo bem, há pouco mais de meio ano o Ministro da Economia decretava o fim da crise e dizia que o Investimento Directo Estrangeiro em curso, permitiria colmatar a previsível desaceleração das exportações

Se esperávamos um sinal de esperança neste debate, um apontar de caminhos para ultrapassarmos esta difícil fase, cedo nos decepcionámos, somente um punhado de medidas, umas mais meritórias, outras menos.

Em muitos casos, como o IMI, à custa do depauperado orçamento das autarquias, quem vai pagar a redução de 50 milhões de euros das autarquias(?), como tão bem denunciou o nosso Presidente da ANMP, Dr. Fernando Ruas, aguardemos pela reunião desta importante associação dentro de uma semana.

Em todo o discurso de José Sócrates, nem uma palavra para os novos pobres, oriundos da classe média e média baixa, nem uma linha sobre a regularização dos pagamentos do Estado às empresas, medida que introduzia liquidez no mercado.

Enfim, com grande pesar para todos os portugueses, o PS, José Sócrates e o Governo, nesta época de exames, levam um valente chumbo!

In Diário de Viseu, 11 de Julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Portugal na Presidência da Assembleia Parlamentar da OSCE

Acompanhei esta semana a uma grande distância, participando na 17ª. Assembleia Anual da Assembleia Parlamentar da OSCE, Organização de Segurança e Cooperação Europeia, em Astana, no Cazaquistão.


Há cerca de cinco anos que, juntamente com o meu colega socialista João Soares, iniciámos uma estratégia de acompanhamento e intervenção da nossa delegação parlamentar nesta importante organização, tendo culminado com a eleição deste meu amigo para Presidente, assumindo eu, interinamente, a presidência da nossa delegação.

Prova que, com uma boa estratégia, somos capazes e merecemos o reconhecimento, neste caso, de 56 Países, da Europa e Ásia, para além da Rússia, Estados Unidos e Canadá; ao longo deste tempo participámos activamente nas diferentes reuniões, para além das inúmeras missões de observação eleitoral, em países como a Sérvia, Montenegro, Geórgia, Rússia, Quirquistão e Cazaquistão, entre outras, aliás, um dos principais pilares desta organização.

Face ao seu figurino, a OSCE teve uma importância fundamental na estabilização democrática dos ex países de leste e, neste momento, está a efectuar um trabalho relevante em missões como a do Kosovo e na estabilização da Ásia Central.

Nos próximos dois anos teremos, pois, um português a presidir a esta Assembleia Parlamentar da OSCE, orgulho-me de ter contribuído activamente para este objectivo.

Nas relações de Portugal com o mundo, as opções partidárias têm de ficar de lado, para além de que João Soares é de facto uma pessoa “talhada” para esta missão, tem sido enriquecedor estreitar esta relação de amizade, estou certo que fará um bom trabalho, com o apoio de toda a delegação portuguesa, parabéns pela eleição.

Quanto ao Cazaquistão, independente da ex URSS desde Dezembro de 1991 e presidido por Nursultan Nazarbayev desde a independência, tem efectuado o seu percurso no capitulo do respeito dos direitos humanos, está a construir uma economia de mercado, embora com um forte planeamento e intervenção do Estado e, no domínio democrático, o presidente foi reeleito em 2005 com 91% dos votos e o Senado e a Assembleia, são praticamente monocromáticas, um longo percurso democrático ainda por fazer.

É um País imenso, onde cabe toda a Europa, com uma população de 15 milhões de pessoas, com uma produção diária de 800.000 barris de petróleo, o que lhes dá uma riqueza imensa e capacidade de investimento.

A título de exemplo, Astana, a nova capital, está a comemorar o seu 10º. Aniversário, cresceu 600.000 pessoas neste período, estão a ser investidos biliões de dólares na construção de uma cidade grandiosa, de largas avenidas, grandes prédios de arquitectura arrojada, nem sempre de bom gosto, mas imponentes; trata-se de um verdadeiro “oásis” na Ásia Central, com uma população muito jovem, média de 34 anos, aconselho o aprofundamento do conhecimento do País, um caso deveras interessante, com uma posição geoestratégica fundamental; assume a presidência da OSCE em Janeiro de 2010.

Não resisti a partilhar esta experiência, o que me deixa pouco espaço para abordar, esta semana, questões locais ou nacionais.

Duas referência positivas:

Uma à actuação do Presidente da Câmara de S. Pedro do Sul em relação ás Termas, representam cerca de 50% do sector em Portugal, com os investimentos efectuados, esta posição poderá consolidar-se, uma opção estratégica num recurso endógeno que cumpre realçar.

Outra à responsabilidade social da Martifer, assina um protocolo com a Autarquia de Oliveira de Frades, de construção na Zona Industrial de creche, jardim de infância e escola do primeiro ciclo, para além de acção directa no domínio da formação dos seus trabalhadores, através de um Centro Novas Oportunidase felicito o Presidente da Autarquia e os irmãos Martins.

Por último, o que eu temia concretiza-se, a Direcção Regional da Estradas de Portugal é dada como certa em Coimbra, não é assim Senhor Presidente da Federação Distrital do PS de Viseu?

Viseu perde com essa atitude de “avestruz”, cabeça na areia ignorando a realidade e atirando “areia para os olhos”, os serviços e a sua localização é que são estruturantes para o futuro, nunca ouvi uma posição que fosse em defesa do nosso Distrito, tanto seguidismo e concordância cega com o Governo de José Sócrates já é demais.

Desminta-me se for capaz, quanto a esta questão das Estradas de Portugal e da Direcção Regional, Coimbra fica, assim, com a CCDR, Estradas de Portugal, ASAE, Administração da Região Hidrográfica do Centro, Emprego, Saúde, Cultura, Educação e Economia! e… Viseu… um a Inspecção das Condições de Trabalho, uma estrondosa derrota para Viseu!

É com tristeza que afirmo esta realidade, trocava uma qualquer estrada pela Direcção Regional da Estradas de Portugal !

É esta a capacidade de influência do Partido Socialista em Viseu, onde está s sua voz ?!...

In Diário de Viseu, 04 de Julho de 2008